Como investir 100 euros por mês: um plano simples e automático

Com 100 € por mês, a via mais simples é um plano automático de investimento num ETF diversificado, numa corretora sem comissões de compra. O que faz diferença não é o montante, é a regularidade e o tempo.

A resposta curta: automático, diversificado e barato

Se o teu objectivo é investir a longo prazo (dez anos ou mais), a abordagem mais simples tem três peças: um ETF global diversificado, uma corretora sem comissão de compra e uma ordem automática todos os meses. Muitas plataformas aceitam planos a partir de 1 a 10 € por ordem, por isso 100 € chegam e sobram. Comprar sempre o mesmo montante, na mesma data, chama-se investimento programado (DCA) e tira-te da decisão de quando entrar.

Se ainda não sabes o que é um ETF, lê primeiro ETF: o que é e como investir. Em resumo, é um cabaz de centenas ou milhares de empresas num só título.

Antes de começar: dívidas caras e fundo de emergência

Há duas coisas que vêm antes do primeiro euro investido:

Só o dinheiro que não vais precisar nos próximos anos deve ir para mercados. Para prazos curtos, ou para a parte do dinheiro que tem de estar sempre disponível, a referência de baixo risco são os Certificados de Aforro Série F, com 2,5% brutos de taxa base, e os depósitos a prazo, cuja taxa média nos novos depósitos ronda os 1,63%. Rendem menos do que a bolsa pode render a longo prazo, mas não oscilam, e essa é a função deles. A bolsa serve para o dinheiro com horizonte longo.

O plano em 4 passos

  1. Escolhe uma corretora regulada na União Europeia. Compara o preçário completo: comissões de compra, custo de câmbio, custódia e se aceita planos automáticos e compras fraccionadas. Uma comissão de compra de zero não quer dizer custo zero; vê também o que cobra pela conversão de moeda e por manter a conta.
  2. Escolhe um ETF. Se o teu objectivo é diversificação simples, procura um ETF global UCITS, de acumulação e com TER baixo. Um só chega: juntar cinco ETFs que replicam índices parecidos aumenta o trabalho sem aumentar a diversificação.
  3. Programa a ordem automática para o dia seguinte ao do ordenado. O que não vês, não gastas. Se a conta estiver na mesma corretora, o dinheiro sai e entra em ETF sem passares pela tentação de o usar.
  4. Revê uma vez por ano. Aumenta o montante quando o rendimento subir e resiste a mexer no resto.

Dez minutos por mês a abrir a app para ver o saldo não ajudam o plano. O que ajuda é uma rotina simples e uma regra escrita à partida, como "só mexo se mudar a minha vida, não se mudar a notícia".

O poder do automatismo e dos juros compostos

A tabela mostra o que 100 € por mês podem valer a um retorno de 7% ao ano, com capitalização mensal e antes de custos e impostos. Esse retorno é uma hipótese de trabalho, não uma garantia: nenhum investimento em bolsa rende 7% por ano, de forma certa, em todos os anos.

PrazoTotal investidoValor final (7%/ano)GanhosDepois de 28% sobre os ganhos
10 anos12.000 €17.308 €5.308 €15.822 €
20 anos24.000 €52.093 €28.093 €44.227 €
30 anos36.000 €121.997 €85.997 €97.918 €

Repara na curva: aos 10 anos, os ganhos são 44% do que puseste; aos 30, são mais do dobro do que puseste. Os juros passam a render juros, e quanto mais tempo, mais forte o efeito. Experimenta com os teus valores na calculadora de juros compostos.

Duas notas de honestidade. A primeira: os valores estão em euros de cada ano, não em poder de compra de hoje, e a inflação reduz o que 52.093 € compram daqui a 20 anos. A segunda: a bolsa não sobe em linha recta. Haverá anos de quedas, e o plano só funciona se continuares a entregar os 100 € quando isso acontecer. É nessas quedas que cada entrega compra mais unidades.

Erros de principiante

Fiscalidade resumida

Em regra, as mais-valias de ETFs são tributadas a 28% no resgate, sobre o ganho e não sobre o total, com englobamento opcional. Nos ETFs de acumulação, não há imposto enquanto não vendes. Nos de distribuição, os dividendos recebidos são tributados em regra a 28%, no ano em que os recebes. As corretoras estrangeiras não retêm imposto por ti, pelo que tens de declarar os rendimentos no IRS.

No exemplo de 20 anos da tabela, o ganho de 28.093 € daria cerca de 7.866 € de imposto no resgate, e ficarias com cerca de 44.227 €. O cálculo é feito sobre o ganho, não sobre os 52.093 €, e só no ano em que vendes. Guarda o histórico de todas as compras, porque cada entrega mensal é uma compra com a sua data e o seu preço.

Perguntas frequentes

Dá para investir com 100 euros por mês?

Dá. Muitas corretoras permitem planos automáticos a partir de 1 a 10 € por ordem, e as compras fraccionadas permitem investir montantes exactos num ETF. O que pesa mais a longo prazo é manter a regularidade e escolher produtos com custos baixos.

Onde investir 100 euros por mês?

Se o horizonte é longo, uma opção comum é um ETF global diversificado numa corretora regulada, sem comissões de compra e com plano automático. Para prazos curtos, de menos de cinco anos, produtos de baixo risco como Certificados de Aforro ou depósitos a prazo são mais adequados.

Quanto tenho ao fim de 20 anos a investir 100 euros por mês?

A um retorno hipotético de 7% ao ano, o valor aproximado é de 52.093 €, dos quais 24.000 € são dinheiro teu. O retorno de 7% é uma hipótese e não uma garantia: o resultado real pode ser inferior ou superior.

Preciso de fundo de emergência antes de investir?

Sim, se não quiseres vender o investimento numa queda para pagar um imprevisto. O fundo de emergência dá-te margem para deixar o investimento a crescer, e só o dinheiro de que não vais precisar nos próximos anos deve ir para mercados.

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