A oitava maravilha do mundo, explicada com números
Os juros compostos são juros que rendem sobre juros. No primeiro ano, o rendimento incide apenas sobre o que investiste; no segundo, incide sobre o que investiste mais os juros do primeiro ano; e assim sucessivamente. O resultado é que o crescimento deixa de ser uma linha recta e passa a ser uma curva que acelera com o tempo, e é precisamente essa aceleração que a maioria das pessoas subestima quando adia o início do investimento.
Um exemplo concreto, com os valores por defeito da calculadora: 1.000 euros iniciais mais 150 euros por mês, a 7% ao ano, valem cerca de 80 mil euros ao fim de 20 anos, dos quais apenas 37 mil saíram do teu bolso. Se esperares dez anos para começar e investires exactamente o mesmo durante os 10 anos restantes, chegas com cerca de 28 mil euros. O custo de adiar não é o dinheiro que não pões: é o tempo de composição que nunca mais recuperas.
As três alavancas que controlas
O valor final de qualquer plano de investimento depende de três variáveis: quanto investes, a que taxa rende e durante quanto tempo. Da taxa controlas pouco, e desconfia de quem te prometer o contrário. Do montante controlas alguma coisa, à medida que o rendimento cresce. Mas do tempo controlas tudo, e é a variável mais poderosa das três: na simulação acima, experimenta duplicar o prazo em vez do reforço mensal e compara os resultados. A conclusão é sempre a mesma, e é por isso que o melhor dia para começar foi há dez anos e o segundo melhor dia é hoje.
Como transformar a simulação em prática
Para a maioria das pessoas, a forma mais simples e barata de capturar o crescimento dos mercados no longo prazo são os ETFs de índices mundiais diversificados, subscritos através de planos de investimento automáticos: defines o valor mensal, a corretora debita e investe sem que tenhas de fazer nada, exactamente como a simulação assume. Várias corretoras a operar em Portugal permitem estes planos a partir de 1 a 10 euros por mês, sem comissões de corretagem. Antes de investir, garante que tens primeiro um fundo de emergência em produtos sem risco, como os Certificados de Aforro, e assume que o dinheiro investido em acções só deve ser dinheiro de que não precisas nos próximos anos.
Perguntas frequentes
Que taxa devo usar na simulação?
Usa a taxa realista do produto onde vais investir: 6% a 8% para índices accionistas mundiais (média histórica de longo prazo, antes de impostos), 2% a 2,5% para produtos de capital garantido. Evita simular com taxas acima de 8% a não ser que saibas exactamente o que estás a fazer.
A simulação considera impostos?
Não. Em Portugal, as mais-valias de ETFs e acções pagam em regra 28% de IRS no momento da venda (com englobamento opcional e regras específicas para detenções longas). Como o imposto só é devido no resgate, o efeito de composição durante o período de investimento não é afectado.
E se o mercado cair?
Vai cair, várias vezes, ao longo de 20 ou 30 anos. A rentabilidade média histórica de 6% a 8% já inclui crises, guerras e recessões. O erro que destrói patrimónios não é a queda em si, é vender durante a queda. Investe apenas dinheiro com horizonte longo e os reforços mensais transformam as quedas em compras a desconto.