A diferença em poucas linhas
O S&P 500 reúne as 500 maiores empresas cotadas nos Estados Unidos. O MSCI World reúne cerca de 1.300 a 1.500 empresas de grande e média dimensão de cerca de 23 países desenvolvidos, incluindo EUA, Japão, Reino Unido, França, Canadá, Suíça e Alemanha, entre outros. À primeira vista, um é americano e o outro é global. Na prática, a fronteira é bem mais ténue do que parece.
O motivo é simples: os EUA pesam cerca de 70% do MSCI World. Quer isto dizer que, se investires 10.000 € num ETF do MSCI World, cerca de 7.000 € vão para empresas norte-americanas, muitas delas exactamente as mesmas que compõem o S&P 500. Os restantes 3.000 € repartem-se pelos outros países.
Tabela comparativa estrutural
| Critério | MSCI World | S&P 500 |
|---|---|---|
| Número de empresas | Cerca de 1.300 a 1.500 | 500 |
| Países | Cerca de 23 países desenvolvidos | Apenas EUA |
| Peso dos EUA | Cerca de 70% | 100% |
| Mercados emergentes | Não incluídos | Não incluídos |
| Dimensão das empresas | Grandes e médias | Grandes |
| Moeda dos activos | Sobretudo dólar, com outras moedas | Dólar |
| Risco cambial para um europeu | Sim, relevante | Sim, total |
| Concentração em poucas empresas | Elevada, nas maiores tecnológicas americanas | Muito elevada |
Sobreposição, diversificação e concentração
A sobreposição entre os dois é enorme. As maiores posições de ambos são normalmente as mesmas gigantes tecnológicas e financeiras americanas, e é por isso que os gráficos de longo prazo dos dois índices andam tão colados. Se um dia o mercado americano cair 20%, o MSCI World não vai ficar imune: tende a cair uma fracção ligeiramente menor, mas na mesma direcção.
A vantagem do MSCI World é a diversificação geográfica formal. Se a economia americana tiver uma década fraca, ou se outro mercado liderar, estás exposto a isso sem teres de mudar nada. A vantagem do S&P 500 é a simplicidade e uma exposição pura às empresas que, nos últimos anos, mais valor criaram. A desvantagem é a mesma face da moeda: estás a apostar tudo numa só economia.
Convém ser honesto sobre o desempenho passado. Nos últimos anos, o S&P 500 teve em regra melhor desempenho do que o MSCI World, precisamente porque os EUA ganharam peso e lideraram. Isto não garante nada para o futuro. Houve períodos longos em que mercados fora dos EUA fizeram melhor, e ninguém sabe qual será o próximo.
Há ainda um ponto de concentração que a diversificação por países esconde. Em ambos os índices, as maiores empresas pesam muito: um punhado de gigantes tecnológicas pode representar uma fatia grande do valor total. Ter 1.400 empresas não significa que 1.400 empresas mexem igualmente no resultado. Se as maiores tiverem um mau ano, os dois índices sentem-no, o S&P 500 um pouco mais.
Risco cambial: igual nos dois
Quem investe em euros e compra activos denominados em dólares fica exposto à taxa de câmbio. Se o dólar desvalorizar face ao euro, perdes valor em euros mesmo que as acções subam em dólares. Como ambos os índices são dominados por empresas americanas, o risco cambial é muito semelhante, e escolher o MSCI World não resolve este problema. Existem versões com cobertura cambial, mas têm custos adicionais e, a longo prazo, nem sempre compensam. É uma decisão à parte, e a maioria dos investidores de longo prazo aceita a flutuação cambial como parte do pacote.
Variantes: ACWI e IMI
Se o teu problema com o MSCI World é a falta de mercados emergentes ou de empresas pequenas, há alternativas. O MSCI ACWI junta países emergentes (como China, Índia ou Brasil) aos desenvolvidos. O MSCI ACWI IMI vai mais longe e inclui também empresas de menor dimensão. O ganho é maior diversificação, com um ETF único que cobre quase todo o mercado cotado. O custo é uma complexidade um pouco maior e, normalmente, comissões ligeiramente mais altas, para um efeito na carteira que costuma ser modesto. E os EUA continuam a pesar bastante nestes índices.
Como escolher na prática
- Se valorizas a diversificação por países e queres uma exposição formalmente global, o MSCI World (ou o ACWI) faz mais sentido.
- Se aceitas conscientemente apostar na economia americana e preferes a máxima simplicidade, o S&P 500 serve o propósito.
- Se não tens uma opinião forte, a diferença entre os dois é pequena o suficiente para que a escolha seja a menos importante da tua estratégia.
Dois erros comuns merecem ser evitados. O primeiro é comprar os dois ETFs convencido de que estás a diversificar: na realidade, estás a ficar com mais EUA do que pensavas. O segundo é andar a trocar de índice de ano para ano, atrás do que rendeu mais recentemente. Isso costuma significar comprar caro e vender barato, e gera custos e, quando há mais-valias, impostos desnecessários.
O que decide o resultado a 20 ou 30 anos é outra coisa: quanto investes, durante quanto tempo e se aguentas as quedas sem vender. Vê o efeito dos juros compostos: 200 € por mês durante 25 anos, a uma rentabilidade de 6% ao ano (hipótese ilustrativa), dão cerca de 135.000 €, dos quais 60.000 € são o teu dinheiro. Trocar um índice pelo outro mexe muito menos neste número do que falhar três anos de contribuições. O hábito de investir uma quantia fixa todos os meses pesa mais do que o índice.
Na parte prática, o que interessa é o ETF concreto: o custo anual (TER), a dimensão do fundo, se é de acumulação ou distribuição e onde está domiciliado. Esse trabalho está explicado no nosso guia sobre o que são ETFs e como investir neles. Neste artigo não recomendamos nenhum produto em particular, e os dados históricos que aqui referimos são ilustrativos. Investir envolve sempre risco de perda de capital, e nenhum destes índices elimina esse risco.
Perguntas frequentes
O MSCI World é mais seguro do que o S&P 500?
Não necessariamente. O MSCI World tem mais países e mais empresas, o que reduz a dependência de uma só economia, mas cerca de 70% do índice são acções norte-americanas, por isso os dois sobem e descem de forma muito semelhante. Nenhum dos dois protege contra perdas de mercado.
Posso ter MSCI World e S&P 500 ao mesmo tempo?
Podes, mas na prática estás a duplicar a exposição aos EUA, porque as grandes empresas norte-americanas já estão nos dois. Para a maioria dos investidores, um único ETF abrangente é mais simples e chega para o objectivo.
O risco cambial existe se eu investir em euros?
Sim, nos dois casos. Os activos estão sobretudo em dólares, e se o dólar se desvalorizar face ao euro o teu investimento perde valor em euros, mesmo que as empresas corram bem. Existem versões com cobertura cambial, mas têm custos próprios e nem sempre compensam.
O que são o MSCI ACWI e o MSCI ACWI IMI?
O ACWI junta aos países desenvolvidos também os mercados emergentes, e o ACWI IMI acrescenta ainda empresas de menor dimensão. São alternativas mais abrangentes ao MSCI World, com ainda mais países e empresas, mas continuam a ter um peso muito elevado dos EUA.