O que mudou em setembro de 2026
A taxa base da Série F é calculada todos os meses pelo IGCP a partir da média da Euribor a 3 meses dos dez dias úteis anteriores, com um limite máximo de 2,5%. Em agosto essa média ficou em 2,518%, acima do teto, e por isso a taxa de setembro é exactamente 2,500% brutos, ou seja, cerca de 1,80% líquidos de IRS. A mesma taxa aplica-se aos certificados subscritos em meses anteriores nos respectivos vencimentos trimestrais.
Do lado dos bancos, os dados mais recentes do Banco de Portugal indicam que a taxa média dos novos depósitos a prazo de particulares subiu para 1,55% em junho de 2026, o valor mais alto do último ano. Continua a ser quase um ponto percentual abaixo dos Certificados de Aforro. Existem excepções: alguns bancos, sobretudo digitais, oferecem depósitos promocionais entre 2,5% e 3% brutos, mas quase sempre para novos clientes ou dinheiro novo, com prazos curtos e sem garantia de renovação à mesma taxa.
10.000 euros, três opções, em euros líquidos
A tabela compara o que rendem 10.000 euros nos Certificados de Aforro (taxa base de 2,5% mais os prémios de permanência a partir do segundo ano), num depósito a prazo à taxa média de 1,55% e num depósito promocional a 2,75% brutos. Todos os valores já têm o IRS de 28% descontado. Para os depósitos assume-se que a taxa se mantém e que o dinheiro é renovado ao fim de cada ano, o que no caso do promocional é uma hipótese optimista.
| Prazo | Certificados de Aforro (2,5% + prémios) | Depósito médio (1,55%) | Depósito promocional (2,75%) |
|---|---|---|---|
| 1 ano | +181 € | +112 € | +198 € |
| 3 anos | +591 € | +339 € | +606 € |
| 5 anos | +1.018 € | +571 € | +1.030 € |
| 10 anos | +2.315 € | +1.174 € | +2.166 € |
Duas conclusões saltam à vista. Primeiro, face ao depósito médio não há comparação possível: os Certificados de Aforro rendem quase o dobro em qualquer prazo, e a diferença em 5 anos passa dos 440 euros por cada 10.000 investidos. Segundo, face a um bom depósito promocional a corrida é renhida no curto prazo, mas os prémios de permanência viram o jogo a partir do sexto ano, quando a taxa bruta dos certificados sobe para 3,0% e depois para 3,5% e mais. Podes refazer estas contas com o teu montante e prazo no simulador de Certificados de Aforro.
Quando o depósito a prazo ganha
Quando encontras uma promoção real acima de 2,5% e tens o dinheiro para a aproveitar. Se um banco te oferece 2,75% ou 3% brutos a 6 ou 12 meses, sem comissões e com o dinheiro que já tens, esse depósito rende mais do que os Certificados de Aforro nesse período. Lê as condições: montante mínimo e máximo, exigência de dinheiro novo, obrigação de domiciliar ordenado ou de abrir conta com custos, e a taxa a que renova quando o prazo acaba, que costuma ser muito inferior.
Quando queres a taxa garantida até ao fim do prazo. Este é o ponto que quase ninguém refere. A taxa dos Certificados de Aforro é recalculada mensalmente e aplica-se a todos os certificados, novos e antigos. Está no teto de 2,5% porque a Euribor a 3 meses está acima disso, mas se o BCE terminar o ciclo de subidas em setembro, como a maioria dos economistas espera, e a Euribor começar a descer em 2027, a taxa dos teus certificados desce com ela. Um depósito a 12 meses fixa a taxa de hoje até ao fim do prazo, aconteça o que acontecer. Explicámos o que os mercados antecipam no artigo Euribor vai subir ou descer?.
Quando os Certificados de Aforro ganham
Liquidez sem castigo. Podes resgatar a partir do primeiro trimestre, total ou parcialmente, perdendo apenas os juros do trimestre em curso e nunca o capital. Na maioria dos depósitos, mobilizar antes do prazo custa todos os juros do período. Para um fundo de emergência, que por definição pode ser preciso amanhã, isto vale mais do que umas décimas de taxa.
Reforços a partir de 10 euros e sem prazo para decidir. Um depósito exige que juntes o montante mínimo e te comprometas com um prazo. Os certificados aceitam reforços de 10 euros em qualquer altura, à taxa em vigor, e cada reforço começa a contar o seu próprio prazo para os prémios de permanência. É a ferramenta certa para quem poupa todos os meses.
Prémios de permanência. Do segundo ao quinto ano recebes 0,25 pontos a mais, do sexto ao nono 0,50, no décimo e décimo primeiro 1,00 ponto, e assim até 1,75 pontos nos dois últimos anos da Série F. Nenhum depósito a prazo comercial oferece uma escalada destas. É por isso que, na tabela acima, os certificados ultrapassam o depósito promocional a 10 anos mesmo com a taxa base presa ao teto.
Garantia do Estado sem limite prático. Os depósitos estão cobertos pelo Fundo de Garantia de Depósitos até 100.000 euros por titular e por banco. Os Certificados de Aforro são dívida directa da República Portuguesa, com um limite de subscrição de 250.000 euros por pessoa na Série F. Para montantes acima de 100.000 euros, a comparação de risco pesa a favor dos certificados, ou obriga a dividir os depósitos por vários bancos.
Como decidir em dois minutos
Fundo de emergência e poupança sem data marcada: Certificados de Aforro. A liquidez trimestral, os reforços pequenos e os 2,5% sem negociação com ninguém tornam a decisão fácil. A única razão para preferir um depósito seria uma promoção claramente acima de 2,5% que não te obrigue a prender o dinheiro por mais tempo do que consegues.
Dinheiro com data marcada nos próximos 6 a 18 meses (entrada de uma casa, carro, obras): compara. Se um depósito promocional te dá mais de 2,5% brutos exactamente para esse prazo, aceita-o e fixa a taxa. Se não, os certificados rendem mais do que o depósito médio e deixam-te levantar o dinheiro no trimestre em que precisares.
Poupança para 10 anos ou mais: a pergunta certa não é "aforro ou depósito", é "quanto perco em não investir". Com a taxa base presa a 2,5% e a inflação a rondar os 2%, nenhum dos dois produtos faz o dinheiro crescer de forma significativa em termos reais. Servem para proteger, não para multiplicar. Para horizontes longos, os mercados accionistas através de ETFs diversificados têm historicamente rendido bastante mais, em troca de risco e volatilidade. Vê a diferença em números na calculadora de juros compostos.
O erro mais comum: deixar o dinheiro à ordem
A discussão entre Certificados de Aforro e depósitos a prazo é útil, mas a maior perda não está em escolher o produto errado. Está em não escolher nenhum. Milhares de milhões de euros continuam em contas à ordem a render zero, à espera de uma decisão. Com 10.000 euros parados durante um ano, deixas de receber cerca de 180 euros líquidos nos certificados ou 110 euros num depósito médio. Qualquer uma das duas opções ganha à terceira, e ambas se abrem em menos de dez minutos.
Perguntas frequentes
Qual é a taxa dos Certificados de Aforro em setembro de 2026?
A taxa base da Série F é de 2,500% brutos, o máximo da fórmula, o que corresponde a cerca de 1,80% líquidos de IRS. A partir do segundo ano somam-se os prémios de permanência, começando em 0,25 pontos percentuais.
Um depósito a prazo pode render mais do que os Certificados de Aforro?
Pode, em casos específicos: depósitos promocionais para novos clientes ou dinheiro novo, com taxas brutas acima de 2,5%, geralmente a prazos curtos e sem renovação às mesmas condições. A taxa média dos novos depósitos era de 1,55% em junho de 2026, bem abaixo dos certificados.
A taxa dos Certificados de Aforro pode descer depois de eu subscrever?
Sim. É recalculada todos os meses a partir da Euribor a 3 meses e aplica-se aos certificados existentes em cada vencimento trimestral. Se a Euribor descer, a tua taxa desce. Num depósito a prazo a taxa fica fixa até ao fim do prazo contratado.
Posso levantar o dinheiro dos Certificados de Aforro quando quiser?
A partir do primeiro vencimento de juros, três meses após a subscrição, podes resgatar total ou parcialmente sem penalização sobre o capital, perdendo apenas os juros do trimestre em curso. Na maioria dos depósitos, a mobilização antecipada implica perder todos os juros do período.