Euribor vai subir ou descer? O que esperar em 2026

A Euribor voltou a subir nas últimas semanas e o Banco Central Europeu decidiu, na reunião de 23 de julho de 2026, manter as taxas de juro depois da subida de junho. Este artigo explica o que aconteceu, o que os mercados estão a antecipar e, mais importante, quanto é que isso pode custar (ou render) no teu caso concreto, em euros.

A carregar as taxas Euribor em vigor…

O que aconteceu: o BCE inverteu o rumo

Depois do ciclo de descidas que levou a taxa de depósito do BCE até 2,00% em junho de 2025, o banco central voltou a subir juros: em junho de 2026 a taxa de depósito passou de 2,00% para 2,25%, com efeitos a partir de 17 de junho. Na reunião de 23 de julho de 2026, o BCE optou por manter as taxas nesse nível: facilidade de depósito em 2,25%, operações principais de refinanciamento em 2,40% e facilidade de cedência marginal em 2,65%.

A Euribor reagiu como costuma reagir: antecipando. Entre 10 e 23 de julho de 2026, a Euribor a 3 meses subiu de 2,378% para 2,472%, a 6 meses de 2,605% para 2,702% e a 12 meses de 2,813% para 2,947% — cerca de um décimo de ponto percentual em duas semanas, o que é um movimento rápido para estas taxas.

O que os mercados estão a antecipar

A Euribor não é uma previsão oficial, mas incorpora as expectativas dos bancos sobre as taxas do BCE. E a leitura actual é clara: a Euribor a 12 meses está quase 0,7 pontos percentuais acima da taxa de depósito do BCE. Quando a curva tem esta inclinação, significa que os mercados estão a atribuir uma probabilidade elevada a novas subidas das taxas directoras ao longo dos próximos doze meses.

Isto não é uma garantia. As expectativas dos mercados mudam com cada dado de inflação e cada discurso do BCE, e já erraram no passado, nos dois sentidos. Mas é a melhor informação disponível hoje, e diz-nos duas coisas: a fase das descidas ficou para trás, e o cenário central para os próximos meses é de Euribor estável ou a subir, não a descer.

Quanto custa à tua prestação, em euros

Para um crédito de 150.000 euros a 30 anos, indexado à Euribor a 6 meses com um spread de 1%, a prestação com as taxas actuais ronda os 691 euros. A tabela mostra o que acontece nos cenários mais prováveis:

CenárioEuribor 6MPrestaçãoDiferença mensal
Euribor desce 0,5 p.p.2,202%649 €−42 €
Taxa actual (jul. 2026)2,702%691 €
Euribor sobe 0,5 p.p.3,202%734 €+43 €
Euribor sobe 1 p.p.3,702%778 €+88 €

Ou seja: se as expectativas actuais dos mercados se confirmarem, uma prestação típica pode subir 40 a 90 euros por mês até à próxima revisão anual. A subida não chega a todos ao mesmo tempo — depende do indexante do teu contrato: com Euribor a 3 meses, a revisão acontece quatro vezes por ano; a 6 meses, duas; a 12 meses, apenas uma. Usa o simulador de crédito habitação para veres estes cenários com o teu montante, prazo e spread reais.

O que podes fazer já hoje

Se tens crédito habitação de taxa variável: faz as contas aos cenários antes da carta do banco chegar. Se a prestação com Euribor 1 ponto acima te aperta o orçamento, este é o momento de pedir propostas de taxa fixa ou mista a dois ou três bancos — e de aproveitar para renegociar o spread, que é a única parte da TAN que controlas. A diferença entre um spread de 1,5% e um de 0,7% num crédito de 150.000 euros são mais de 700 euros por ano.

Se tens poupanças paradas: a subida da Euribor tem um lado bom. A taxa base dos Certificados de Aforro Série F acompanha a média da Euribor a 3 meses, com um teto de 2,5% — e com a Euribor a 3 meses em 2,472%, a taxa base está praticamente no máximo legal. É o melhor momento dos últimos tempos para quem subscreve, sobretudo face a depósitos a prazo cuja taxa média continua muito abaixo. Simula quanto rendem os teus montantes aqui, com prémios de permanência e IRS já descontados.

E as previsões para o resto de 2026?

Uma regra honesta: desconfia de quem te garante para onde vai a Euribor. Em vez de uma previsão pontual, trabalha com os três cenários da tabela acima. O cenário central dos mercados é de estabilidade ou subida ligeira até ao fim do ano, com a próxima reunião do BCE (meados de setembro de 2026) como o momento em que as expectativas podem mudar. Se o BCE voltar a subir, a Euribor a 3 e 6 meses ajustam-se rapidamente; se sinalizar uma pausa longa, parte da subida recente da Euribor a 12 meses pode reverter.

O que não muda com as previsões: quem conhece os seus números decide melhor. Cinco minutos num simulador valem mais do que cinquenta manchetes.

Perguntas frequentes

A Euribor vai subir ou descer em 2026?

Ninguém consegue prever com certeza. Neste momento, a curva aponta para cima: a Euribor a 12 meses está claramente acima da taxa de depósito do BCE, o que significa que os mercados antecipam novas subidas nos próximos doze meses. O BCE subiu as taxas em junho de 2026 e manteve-as a 23 de julho.

Quando é que a subida chega à minha prestação?

Na data de revisão do teu contrato: de três em três meses com a Euribor a 3 meses, de seis em seis com a 6 meses e uma vez por ano com a 12 meses. A revisão usa a média da Euribor do mês anterior à revisão, por isso há sempre um desfasamento entre o que vês nas notícias e o que aparece na prestação.

Devo fixar a taxa agora?

Depende da folga do teu orçamento. A taxa fixa custa normalmente mais à cabeça, mas elimina o risco; a mista é o meio-termo. Se uma subida de 1 ponto percentual te deixa sem margem, pede propostas de fixa ou mista e compara com os cenários do simulador. Se aguentas confortavelmente os cenários de subida, a variável continua a beneficiar de eventuais descidas.

A subida da Euribor beneficia os Certificados de Aforro?

Sim. A taxa base da Série F é a média da Euribor a 3 meses com máximo de 2,5%, por isso está agora praticamente no teto legal. Para quem subscreve hoje, é o melhor nível possível.

Spread acima de 1%? Compara antes da próxima revisão

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