Euribor vai subir ou descer? O que esperar em 2026

O Banco Central Europeu subiu as taxas de juro pela segunda vez este ano a 10 de setembro de 2026 e volta a reunir a 28 e 29 de outubro. A 16 de outubro, a Euribor estava em 2,642% a 3 meses, 2,970% a 6 meses e 3,215% a 12 meses. Este artigo explica o que aconteceu, o que os mercados estão a antecipar e, mais importante, quanto é que isso pode custar (ou render) no teu caso concreto, em euros.

A carregar as taxas Euribor em vigor…

O que aconteceu: o BCE inverteu o rumo

Depois do ciclo de descidas que levou a taxa de depósito do BCE até 2,00% em junho de 2025, o banco central voltou a subir juros: em junho de 2026 a taxa de depósito passou de 2,00% para 2,25%, com efeitos a partir de 17 de junho. Em julho manteve as taxas e, a 10 de setembro de 2026, voltou a subi-las 0,25 pontos, com efeitos a partir de 16 de setembro: facilidade de depósito em 2,50%, operações principais de refinanciamento em 2,65% e facilidade de cedência marginal em 2,90%.

A Euribor reagiu como costuma reagir: antecipando. Entre 10 e 23 de julho de 2026, a Euribor a 3 meses subiu de 2,378% para 2,472%, a 6 meses de 2,605% para 2,702% e a 12 meses de 2,813% para 2,947%. Desde então continuou a subir: a 16 de outubro de 2026 estava em 2,642% a 3 meses, 2,970% a 6 meses e 3,215% a 12 meses (numa semana, desde 9 de outubro, subiu 0,010 pontos a 3 meses, 0,061 a 6 meses e 0,024 a 12 meses). Na última semana o movimento acalmou: face a 7 de outubro, a 3 meses desceu 0,008 pontos, a 6 meses desceu 0,023 pontos e a 12 meses subiu 0,007 pontos.

O que os mercados estão a antecipar

A Euribor não é uma previsão oficial, mas incorpora as expectativas dos bancos sobre as taxas do BCE. E a leitura actual é clara: a Euribor a 12 meses está cerca de 0,7 pontos percentuais acima da taxa de depósito do BCE. Quando a curva tem esta inclinação, significa que os mercados estão a atribuir uma probabilidade elevada a novas subidas das taxas directoras ao longo dos próximos doze meses.

Isto não é uma garantia. As expectativas dos mercados mudam com cada dado de inflação e cada discurso do BCE, e já erraram no passado, nos dois sentidos. Mas é a melhor informação disponível hoje, e diz-nos duas coisas: a fase das descidas ficou para trás, e o cenário central para os próximos meses é de Euribor estável ou a subir, não a descer.

Quanto custa à tua prestação, em euros

Para um crédito de 150.000 euros a 30 anos, indexado à Euribor a 6 meses com um spread de 1%, a prestação com as taxas actuais (Euribor a 6 meses de 2,924% em 14 de outubro de 2026) ronda os 710 euros. A tabela mostra o que acontece nos cenários mais prováveis:

CenárioEuribor 6MPrestaçãoDiferença mensal
Euribor desce 0,5 p.p.2,424%667,22 €−42,35 €
Taxa actual (out. 2026)2,924%709,57 €-
Euribor sobe 0,5 p.p.3,424%753,27 €+43,70 €
Euribor sobe 1 p.p.3,924%798,28 €+88,71 €

Ou seja: se as expectativas actuais dos mercados se confirmarem, uma prestação típica pode subir 40 a 90 euros por mês até à próxima revisão anual. A subida não chega a todos ao mesmo tempo: depende do indexante do teu contrato: com Euribor a 3 meses, a revisão acontece quatro vezes por ano; a 6 meses, duas; a 12 meses, apenas uma. Usa o simulador de crédito habitação para veres estes cenários com o teu montante, prazo e spread reais.

O que podes fazer já hoje

Se tens crédito habitação de taxa variável: faz as contas aos cenários antes da carta do banco chegar. Se a prestação com Euribor 1 ponto acima te aperta o orçamento, este é o momento de pedir propostas de taxa fixa ou mista a dois ou três bancos (vê o guia completo sobre taxa fixa, mista e variável) e de aproveitar para renegociar o spread, que é a única parte da TAN que controlas. A diferença entre um spread de 1,5% e um de 0,7% num crédito de 150.000 euros são mais de 700 euros por ano.

Se tens poupanças paradas: a subida da Euribor tem um lado bom. A taxa base dos Certificados de Aforro Série F acompanha a média da Euribor a 3 meses, com um teto de 2,5%, e a taxa base está nesse máximo legal desde setembro de 2026 (em outubro mantém-se nos 2,5%, com a média da Euribor a 3 meses usada no cálculo em 2,634%). É o melhor momento dos últimos tempos para quem subscreve, sobretudo face a depósitos a prazo cuja taxa média continua muito abaixo (vê a comparação entre Certificados de Aforro e depósitos a prazo). Simula quanto rendem os teus montantes aqui, com prémios de permanência e IRS já descontados.

E as previsões para o resto de 2026?

Uma regra honesta: desconfia de quem te garante para onde vai a Euribor. Em vez de uma previsão pontual, trabalha com os três cenários da tabela acima. A 10 de setembro de 2026 o BCE confirmou o cenário de subida: aumentou as taxas diretoras em 0,25 pontos (a taxa de depósito passou para 2,50%) sem se comprometer com os próximos passos e com a inflação projectada em 3,0% este ano. Entretanto, a inflação em Portugal acelerou para 3,6% em setembro, segundo o INE, puxada pelos combustíveis. A próxima reunião do BCE é a 28 e 29 de outubro. Se já estás a pensar abater ao crédito, vê as contas em amortizar o crédito habitação ou investir. Se o BCE voltar a subir, a Euribor a 3 e 6 meses ajustam-se rapidamente; se sinalizar uma pausa longa, parte da subida recente da Euribor a 12 meses pode reverter.

O que não muda com as previsões: quem conhece os seus números decide melhor. Cinco minutos num simulador valem mais do que cinquenta manchetes.

Perguntas frequentes

A Euribor vai subir ou descer em 2026?

Ninguém consegue prever com certeza. Neste momento, a curva aponta para cima: a Euribor a 12 meses está claramente acima da taxa de depósito do BCE, o que significa que os mercados antecipam novas subidas nos próximos doze meses. O BCE subiu as taxas em junho e em setembro de 2026; a próxima reunião é a 28 e 29 de outubro.

Quando é que a subida chega à minha prestação?

Na data de revisão do teu contrato: de três em três meses com a Euribor a 3 meses, de seis em seis com a 6 meses e uma vez por ano com a 12 meses. A revisão usa a média da Euribor do mês anterior à revisão, por isso há sempre um desfasamento entre o que vês nas notícias e o que aparece na prestação.

Devo fixar a taxa agora?

Depende da folga do teu orçamento. A taxa fixa custa normalmente mais à cabeça, mas elimina o risco; a mista é o meio-termo. Se uma subida de 1 ponto percentual te deixa sem margem, pede propostas de fixa ou mista e compara com os cenários do simulador. Se aguentas confortavelmente os cenários de subida, a variável continua a beneficiar de eventuais descidas.

A subida da Euribor beneficia os Certificados de Aforro?

Sim. A taxa base da Série F é a média da Euribor a 3 meses com máximo de 2,5%, por isso está no teto legal desde setembro de 2026 e mantém-se aí em outubro. Para quem subscreve hoje, é o melhor nível possível.

Spread acima de 1%? Compara antes da próxima revisão

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