Conta poupança para filhos: as opções reais em Portugal e quanto rendem

Em Portugal há três caminhos realistas para poupar para um filho: uma conta poupança de menor, Certificados de Aforro em nome da criança ou ETFs em nome dos pais destinados a ela. Compara-os aqui com 25 € por mês desde o nascimento até aos 18 anos.

A resposta curta: três opções, uma só regra

A regra é simples: dinheiro que fica 18 anos à ordem não faz nada por ti nem pelo teu filho. As três opções reais em Portugal são a conta poupança de menor num banco, os Certificados de Aforro subscritos em nome da criança e o investimento em ETFs numa conta dos pais, com o dinheiro destinado ao filho. Cada uma resolve um problema diferente: segurança, simplicidade ou crescimento.

Em todos os casos, o ponto de partida é o mesmo: fixar um valor mensal que consigas manter, automatizá-lo no dia em que recebes o ordenado e esquecê-lo. O que muda entre as opções é o que acontece ao dinheiro durante 18 anos.

As três opções, com prós e contras

1. Conta poupança de menor

É a opção mais conhecida: o banco abre uma conta em nome da criança, movimentada pelos representantes legais. Prós: é simples, o dinheiro fica disponível quando precisares e muitos bancos oferecem condições para menores. Contras: as taxas tendem a ser baixas, convém verificar comissões de manutenção e a taxa pode mudar ao longo dos anos. Antes de abrir, pergunta a TANB, as condições para mobilizar e quem pode levantar o dinheiro.

2. Certificados de Aforro em nome do menor

Os Certificados de Aforro Série F podem ser subscritos para menores. Prós: capital garantido pelo Estado, taxa base no teto de 2,5% brutos desde Setembro de 2026, prémios de permanência crescentes (+0,25 p.p. nos anos 2 a 5, +0,50 nos anos 6 a 9, até +1,75 nos anos 14 a 15) e reforços desde 10 €. Contras: a taxa base é variável e acompanha a Euribor 3M, o dinheiro só é resgatável após 3 meses e pertence ao menor, que aos 18 anos decide o que fazer com ele. Há mais detalhes em Certificados de Aforro para filhos e no simulador dos Certificados de Aforro.

3. ETFs em nome dos pais, destinados ao filho

Como as corretoras abrem contas, em regra, apenas a adultos, a solução habitual é investir em ETFs globais e diversificados numa conta tua e, mentalmente ou por escrito, reservar esse investimento ao filho. Prós: horizonte de 18 anos adequado a acções, custos baixos e maior potencial de crescimento. Contras: o valor oscila, pode estar abaixo do que depositaste na altura em que precisares, o dinheiro pertence legalmente a quem tem a conta e transmiti-lo ao filho exige uma decisão (e eventuais cuidados fiscais) no futuro. Quando faltarem 3 a 5 anos para os 18, faz sentido ir passando a parte mais exposta para activos mais seguros, para não depender de um mau ano à data de levantar.

25 € por mês durante 18 anos: as contas

O exemplo: 25 € por mês desde o nascimento até aos 18 anos, ou seja, 216 entregas e 5.400 € depositados. Cada valor é calculado com juros compostos, com entregas no fim de cada mês, taxa constante e imposto de 28% aplicado sobre os juros (conta e Certificados) ou sobre o ganho no resgate (ETFs). As taxas são hipóteses para ilustrar, não previsões nem taxas de algum banco.

OpçãoTaxa usadaDepositadoValor final líquidoGanho líquido
Conta à ordem0%5.400 €5.400 €0 €
Conta poupança de menor (hipótese)1% brutos5.400 €5.768 €368 €
Certificados de Aforro2,5% brutos (1,8% líquidos)5.400 €6.363 €963 €
ETFs, cenário moderado (hipótese)3% ao ano5.400 €6.639 €1.239 €
ETFs, cenário favorável (hipótese)5% ao ano5.400 €7.727 €2.327 €
ETFs, cenário mau0% ao ano5.400 €5.400 €0 € (ou perda)

Os Certificados não contam os prémios de permanência, que melhorariam o resultado, e assumem que a taxa base se mantém, o que não é garantido: pode subir ou descer com a Euribor, dentro do intervalo de 0% a 2,5%. Nos ETFs, a taxa real será diferente em cada ano; o que conta é o conjunto dos 18 anos, e o cenário mau existe. O que a tabela mostra é a ordem de grandeza: o valor que o filho receberia ao fim de 18 anos varia entre 5.400 € e 7.727 € consoante onde o dinheiro esteve.

Fiscalidade em poucas linhas

O erro de deixar tudo à ordem, e como escolher

O erro mais comum não é escolher a opção errada, é não escolher. Uma conta à ordem a 0% fica com os 5.400 € nominais ao fim de 18 anos, mas com menos poder de compra do que tinham quando os depositaste. E há um segundo efeito: dinheiro à ordem é dinheiro fácil de gastar.

Para decidir, junta três perguntas:

Uma solução intermédia é dividir: por exemplo, 15 € por mês em Certificados de Aforro e 10 € em ETFs. Assim tens uma componente segura e outra com potencial de crescimento. Mais importante do que a escolha perfeita é começar cedo e manter o hábito: cada ano de atraso retira ao dinheiro um ano de capitalização.

Perguntas frequentes

Qual é a melhor conta poupança para filhos em Portugal?

Depende do prazo e do risco que aceitas. Para segurança, os Certificados de Aforro em nome do menor têm garantia do Estado e taxa base no teto de 2,5% brutos. Para um prazo de 18 anos, ETFs diversificados em nome dos pais têm potencial de crescimento superior, mas com oscilações e sem capital garantido.

Uma criança pode ter Certificados de Aforro?

Sim. Os Certificados de Aforro podem ser subscritos em nome de menores, através dos representantes legais. A subscrição mínima é de 100 €, com reforços a partir de 10 €. O dinheiro passa a pertencer à criança, que poderá geri-lo por si aos 18 anos.

Os filhos pagam IRS sobre os juros da poupança?

Os juros de depósitos e Certificados de Aforro têm retenção na fonte de 28%, tal como acontece com os adultos. Os rendimentos de menores integram, em regra, o agregado familiar, por isso confirma com um contabilista se há obrigações declarativas no teu caso.

Quanto tenho ao fim de 18 anos se poupar 25 euros por mês?

Depositas 5.400 € ao todo. Com a conta à ordem a 0% ficas com 5.400 €. Com Certificados de Aforro à taxa base de 2,5% brutos e a taxa constante, cerca de 6.363 € líquidos. Com ETFs a uma rentabilidade hipotética de 5% ao ano, cerca de 7.727 € líquidos, sem qualquer garantia.

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