As três opções em trinta segundos
Taxa variável: a TAN é a Euribor (3, 6 ou 12 meses) mais o spread do banco. Quando a Euribor sobe, a prestação sobe na revisão seguinte; quando desce, a prestação desce. Assumes o risco das taxas e ficas com o benefício das descidas.
Taxa fixa: a TAN é acordada no início e não muda até ao fim do contrato. A prestação é a mesma no primeiro mês e no último. Pagas pela previsibilidade: o banco incorpora no preço as expectativas de mercado e uma margem pelo risco que passa a assumir por ti.
Taxa mista: o meio-termo que se tornou a escolha mais popular em Portugal. A TAN é fixa nos primeiros anos (tipicamente 2, 3, 5 ou 10) e depois passa a variável, com o spread definido no contrato desde o início. Proteges os primeiros anos, que são normalmente os de orçamento mais apertado, sem pagar taxa fixa durante 30 ou 40 anos.
Porque é que 2026 mudou as contas
Durante 2024 e 2025, a Euribor desceu e quem tinha taxa variável viu a prestação aliviar. Esse ciclo terminou: o BCE subiu a taxa de depósito de 2,00% para 2,25% em junho de 2026 e manteve-a na reunião de 23 de julho, e a Euribor a 12 meses negoceia perto de 3%, claramente acima da taxa de depósito — sinal de que os mercados atribuem probabilidade elevada a novas subidas nos próximos doze meses. Explicámos este movimento em detalhe no artigo Euribor vai subir ou descer?.
Isto tem uma consequência prática curiosa: como a taxa fixa reflecte as expectativas futuras e a variável reflecte o presente, quando os mercados já esperam subidas as propostas de taxa fixa e mista podem ficar surpreendentemente próximas da prestação da variável de hoje. Fixar deixa de ser um luxo caro e passa a ser um seguro a preço razoável — mas só as propostas concretas dos bancos te dizem quanto custa no teu caso.
Quanto custa cada opção, em euros
Para um crédito de 150.000 euros a 30 anos, com valores ilustrativos próximos do mercado de meados de 2026 (Euribor a 6 meses em 2,684%, spread de 1% na variável), as prestações comparam-se assim:
| Opção | TAN | Prestação | E se a Euribor subir 1 p.p.? |
|---|---|---|---|
| Variável (Euribor 6M + 1%) | 3,684% | 689 € | Sobe para ~768 € |
| Mista (fixa 3,2% nos primeiros 5 anos) | 3,200% | 649 € | Não muda até 2031 |
| Fixa a 30 anos | 3,600% | 682 € | Não muda, nunca |
Repara no que a tabela mostra: com as taxas de hoje, a mista ilustrativa fica mais barata do que a variável, e a fixa fica praticamente ao mesmo preço — com a diferença de que nenhuma delas sobe se a Euribor continuar a subir. Em contrapartida, se a Euribor cair 1 ponto percentual, a variável desce para cerca de 613 euros e as outras não. As TAN fixas e mistas variam muito de banco para banco e com o teu perfil; usa estes números como ordem de grandeza e o simulador de crédito habitação para testar o teu montante, prazo e spread reais.
Como escolher: três perguntas honestas
1. Aguentas o pior cenário razoável? Pega na tua prestação e recalcula-a com a Euribor 1,5 pontos acima. Se o resultado te obriga a cortar no essencial, o teu problema não é de previsão, é de risco: taxa fixa ou mista com período longo. Se aguentas com folga, podes dar-te ao luxo de ficar na variável e beneficiar de eventuais descidas.
2. Quanto tempo vais manter este crédito? A taxa fixa a 30 anos protege-te durante 30 anos, mas a maioria dos créditos é amortizada, transferida ou renegociada muito antes. Se é provável que vendas a casa ou amortizes em 5 a 10 anos, uma mista com período fixo dessa duração dá-te a mesma protecção efectiva por menos dinheiro.
3. Estás a comparar propostas ou a aceitar a primeira? A diferença entre bancos na mesma modalidade chega facilmente a 0,3–0,5 pontos percentuais de TAN — dezenas de euros por mês, milhares ao longo do contrato. Pede sempre a FINE a dois ou três bancos e compara a TAEG e o MTIC, não apenas a prestação do primeiro ano. E se já tens crédito, lembra-te: transferir um crédito em taxa variável custa no máximo 0,5% do capital (2% em taxa fixa), e muitos bancos pagam esse custo por ti para ficarem com o teu contrato.
O erro mais comum: decidir pela manchete
Fixar a taxa no pânico de uma subida, ou voltar à variável na euforia de uma descida, é comprar o seguro depois do incêndio. A decisão certa não depende de adivinhar a Euribor — depende de saber se o teu orçamento sobrevive aos cenários maus. Faz as contas com calma, com os teus números, e escolhe a opção que te deixa dormir descansado nos dois cenários. Cinco minutos num simulador valem mais do que cinquenta manchetes.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre taxa fixa, variável e mista?
Na variável, a TAN é a Euribor mais o spread e a prestação muda nas revisões. Na fixa, a TAN é acordada no início e nunca muda. Na mista, a TAN é fixa nos primeiros anos (normalmente 2 a 10) e depois passa a variável, com o spread definido no contrato desde o início.
A taxa fixa é sempre mais cara do que a variável?
Não. A fixa incorpora as expectativas futuras dos mercados: quando se esperam subidas da Euribor, como agora, as propostas de fixa e mista podem ficar próximas ou até abaixo da prestação da variável de hoje. Só as propostas concretas dos bancos te dizem o preço real no teu caso.
Posso mudar de variável para fixa no crédito que já tenho?
Sim, renegociando com o teu banco ou transferindo o crédito para outro. A comissão máxima de reembolso antecipado é 0,5% do capital em taxa variável e 2% em taxa fixa, e muitos bancos oferecem-se para pagar os custos da transferência.
O que acontece na mista quando acaba o período fixo?
O contrato passa a variável: Euribor mais o spread definido na FINE desde o início. Compara esse spread futuro entre propostas com o mesmo cuidado com que comparas a taxa fixa inicial — é ele que determina a tua prestação durante a maior parte do contrato.