Certificados do Tesouro vs certificados de aforro: qual escolher?

Os Certificados de Aforro Série F servem a quem quer liquidez ao fim de 3 meses e juros capitalizados; os Certificados do Tesouro Poupança Crescimento (CTPC) servem a quem aceita prender o dinheiro até 7 anos em troca de taxas conhecidas à partida. As condições dos CTPC mudam por série, por isso comparamos aqui a estrutura dos dois produtos e remetemos as taxas em vigor para o IGCP.

A diferença em resumo

Ambos são dívida pública portuguesa vendida a particulares e têm o capital garantido pela República. A diferença está na forma como te pagam e em quanto tempo ficas preso. Nos Certificados de Aforro Série F, a taxa base é variável: acompanha a média da Euribor 3M, com mínimo de 0% e máximo de 2,5%, mais prémios de permanência. Os juros são capitalizados trimestralmente e podes resgatar ao fim de 3 meses, perdendo os juros do trimestre em curso. Podes simular o teu caso no simulador de certificados de aforro.

Nos CTPC, o prazo é de 7 anos, as taxas são crescentes ao longo dos anos e ficam fixadas na subscrição, ou seja, sabes à partida quanto vais receber em cada ano. Os juros não são capitalizados. Se resgatares depois do primeiro ano, perdes os juros do ano em curso. Os valores concretos dependem da série em comercialização, e é por isso que não os inventamos aqui. Em linguagem simples: a Série F é um produto que podes ir ajustando e de onde podes sair quando precisas; um CTPC é para subscrever e deixar quieto durante 7 anos. Na Série F, a taxa reage depressa ao mercado; no CTPC, a taxa que vês no dia da subscrição é a que fica.

Comparação lado a lado

CaracterísticaCertificados de Aforro Série FCertificados do Tesouro (CTPC)
PrazoAté 15 anos, com prémios até ao 15.º ano7 anos
TaxaVariável: média da Euribor 3M (0% a 2,5%) mais prémio de permanênciaCrescente ao longo dos anos e fixada à subscrição; varia por série
JurosCapitalizados trimestralmenteSem capitalização
LiquidezResgate após 3 meses, perdendo os juros do trimestre em cursoResgate após 1 ano, perdendo os juros do ano em curso
SubscriçãoMínimo de 100 €, reforços desde 10 €Consulta as condições da série em vigor
Limite por pessoa250.000 € por aforristaConsulta as condições da série em vigor
Garantia do capitalRepública PortuguesaRepública Portuguesa
Onde ver as condiçõesSimulador deste site e IGCPSite do IGCP, série a série

Para perceberes como o limite de 250.000 € funciona na prática, incluindo para quem já tem outras séries, vê o artigo sobre o limite dos certificados de aforro.

Taxa variável contra taxas fixadas à partida

É aqui que está a decisão de fundo. A Série F segue a Euribor, mas com um limite de 2,5% na taxa base. A 13 de Outubro de 2026, a Euribor 3M estava a 2,632%, acima desse limite, pelo que a taxa base está no máximo desde Setembro. O BCE subiu a taxa de depósito para 2,50% a 10 de Setembro e os mercados antecipam possíveis novas subidas, mas isso não faz subir a taxa base da Série F, porque já está no máximo.

O que muda então? A Série F tem um potencial de subida limitado e um risco de descida em aberto: se a Euribor 3M descer abaixo de 2,5%, a taxa desce com ela. Os CTPC funcionam ao contrário: a taxa fica fixada na subscrição, o que te protege de descidas, mas não te deixa beneficiar de subidas posteriores. Nenhum dos dois é melhor em abstracto. Depende do que achas que as taxas vão fazer e do que aceitas arriscar.

O efeito da capitalização

Capitalizar significa que os juros passam a render também. Para isolar o efeito, imagina 10.000 € durante 7 anos a uma taxa de 2,5% brutos, com IRS de 28% sobre os juros nos dois casos, para simplificar (confirma a tributação nas condições da série dos CTPC):

A diferença é de cerca de 80 €. A taxas e prazos assim, a capitalização pesa pouco; o que decide a comparação é a taxa de cada produto e o prazo que consegues manter. Se os juros dos CTPC forem pagos periodicamente e ficarem parados na tua conta, não rendem, mas se os reinvestires, aproximas-te do efeito da capitalização. É um exemplo ilustrativo da mecânica, não uma previsão de rentabilidade de nenhum dos produtos.

Quando escolher cada um

Esta é uma orientação genérica e não uma recomendação personalizada:

Um exemplo ilustrativo de combinação, sem recomendar valores: quem tem 30.000 € poderia manter 10.000 € na Série F como reserva com liquidez ao fim de 3 meses e destinar 20.000 € a um CTPC, dinheiro que só vai precisar daqui a 7 anos. Se surgir uma emergência, a parte da Série F resolve sem tocar nos CTPC e sem perder os juros do ano deste último.

Seja qual for a escolha, confirma sempre as condições em vigor no IGCP no dia em que subscreves, porque nos CTPC a taxa que vale é a da série que estiver à venda nesse momento.

Perguntas frequentes

O que são os Certificados do Tesouro Poupança Crescimento?

São dívida pública portuguesa para particulares, com prazo de 7 anos e taxas crescentes fixadas na subscrição. As condições mudam por série e as em vigor estão no site do IGCP.

Qual rende mais: certificados do tesouro ou certificados de aforro?

Depende da série dos CTPC em comercialização e da evolução da Euribor. Compara a taxa de cada ano do CTPC em vigor com a Série F actual, que tem a taxa base de 2,5% brutos mais prémios de permanência a partir do 2.º ano.

Posso resgatar os certificados do tesouro antes dos 7 anos?

Sim, a partir de 1 ano, mas perdes os juros do ano em curso. Nos certificados de aforro Série F podes resgatar ao fim de 3 meses, perdendo os juros do trimestre em curso.

Posso ter certificados do tesouro e certificados de aforro ao mesmo tempo?

Sim, são produtos distintos e podem coexistir. Confirma nas condições em vigor do IGCP se existe algum limite conjunto antes de subscreveres.

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