Como se calcula a taxa da Série E
A taxa base da Série E é definida todos os meses pelo IGCP, a agência que gere a dívida pública, com uma fórmula parecida com a da Série F mas mais generosa: a média da Euribor a 3 meses dos dez dias úteis anteriores mais 1 ponto percentual, com um mínimo de 0% e um máximo de 3,5%. A Série F usa a mesma Euribor sem o ponto extra e com o teto em 2,5%.
A isso somam-se os prémios de permanência, que também são mais altos do que na Série F: 0,5 pontos do segundo ao quinto ano e 1 ponto do sexto ao décimo ano. Na Série F os prémios começam em 0,25 pontos e só chegam a 1 ponto no décimo ano.
Em outubro de 2026 a Euribor a 3 meses anda nos 2,6%. Somando 1 ponto dava 3,6%, acima do teto, e por isso a taxa base da Série E este mês é exactamente 3,5% brutos. É a mesma razão pela qual a Série F está presa aos 2,5%. A tabela mostra o que cada certificado está a render, consoante o ano de subscrição:
| Subscrição | Ano de detenção em 2026 | Prémio de permanência | Taxa bruta | Taxa líquida de IRS |
|---|---|---|---|---|
| Outubro 2017 a outubro 2021 | 6.º ao 10.º ano | +1,00 ponto | 4,50% | 3,24% |
| Outubro 2021 a junho 2023 | 2.º ao 5.º ano | +0,50 pontos | 4,00% | 2,88% |
| Série F, para comparar | 1.º ano | nenhum | 2,50% | 1,80% |
Taxa base de outubro de 2026 (3,5%) mais o prémio de permanência em vigor. Os certificados subscritos em outubro de 2021 passam ao prémio de 1 ponto no aniversário da subscrição. O IGCP publica todos os meses a tabela com a taxa de cada mês de emissão.
Quanto perdes se resgatares para ir para a Série F
Não existe conversão entre séries. "Passar para a Série F" é resgatar os certificados antigos e subscrever novos, e isso tem três custos. O primeiro é a taxa base: 2,5% em vez de 3,5%, menos 1 ponto todos os anos. O segundo é o prémio de permanência, que volta a zero: no primeiro ano da Série F não há prémio, e nos quatro seguintes é só 0,25 pontos. O terceiro é o trimestre em curso: os juros contam por trimestres completos, por isso resgatar a meio de um trimestre deita fora até 112 euros brutos por cada 10.000 euros a 4,5%.
A tabela compara o que rendem 10.000 euros se os deixares na Série E até ao vencimento ou se os resgatares hoje e subscreveres Série F pelo mesmo período. Valores líquidos de IRS, com a taxa base de outubro constante e sem contar os juros do trimestre perdido:
| Situação | Prazo | Ficar na Série E | Resgatar e subscrever Série F | Diferença |
|---|---|---|---|---|
| Subscrito em 2019, no 8.º ano | 3 anos até vencer | +1.016 € | +591 € | -425 € |
| Subscrito em 2022, no 5.º ano | 6 anos até vencer | +2.093 € | +1.258 € | -835 € |
| Qualquer subscrição | 1 ano | +291 € a +328 € | +181 € | -110 € a -147 € |
Em qualquer cenário a Série E ganha com folga. Com 50.000 euros subscritos em 2019, ficar até ao vencimento rende mais 2.100 euros do que a troca. Não há nenhuma situação em que resgatar para subscrever a Série F compense, e a Série E está fechada: uma vez resgatada, nunca mais a recuperas.
E se a Euribor descer?
A Euribor a 6 e a 12 meses começou a descer em outubro, com os mercados a anteciparem que o BCE já terminou as subidas. Se a Euribor a 3 meses também cair, a taxa das duas séries desce, mas a Série E fica sempre à frente. Com a Euribor a 3 meses em 1,5%, por exemplo, a Série F pagaria 1,5% no primeiro ano, enquanto a Série E pagaria 2,5% mais o prémio: 3,0% ou 3,5% brutos. Por cada 10.000 euros, são 254 euros líquidos por ano na Série E contra 108 euros na Série F. O ponto extra e os prémios maiores protegem-te em qualquer cenário. Para saberes o que os mercados esperam, vê Euribor vai subir ou descer?.
Quando faz sentido resgatar
Só quando precisas do dinheiro. Para pagar uma entrada de casa, obras, um imprevisto ou para amortizar um crédito com taxa alta. Nesse caso, resgata apenas o que precisas: o resgate parcial é permitido e os certificados que ficam mantêm a antiguidade e o prémio. E escolhe a data: pede o resgate logo a seguir a um vencimento trimestral, para não perderes os juros do trimestre em curso. A data de vencimento é o dia do mês da subscrição, de três em três meses.
Se a razão para resgatar é amortizar o crédito habitação, faz as contas antes. Com a Série E a render 3,2% líquidos e sem risco, só compensa amortizar se a TAN do teu crédito for claramente superior, e a comissão de amortização voltou em 2026. Explicámos essa decisão em amortizar o crédito habitação ou investir.
Nunca para mudar de produto de poupança. Nem para a Série F, nem para um depósito a prazo. O depósito médio em Portugal paga 1,63% brutos e os melhores promocionais rondam os 3%, abaixo dos 4% a 4,5% da Série E, e com a liquidez trimestral dos certificados a ganhar à mobilização antecipada dos depósitos. A comparação completa está em Certificados de Aforro ou depósito a prazo.
O vencimento aos 10 anos: o que acontece a partir de outubro de 2027
Ao contrário da Série F, que dura 15 anos, a Série E tem um prazo de 10 anos contados da data-valor de cada subscrição. No dia do décimo aniversário o IGCP reembolsa automaticamente o capital e os juros capitalizados para a conta bancária associada à tua conta aforro. Não há renovação, não há conversão para a Série F e não precisas de pedir nada.
O calendário é simples: cada subscrição vence dez anos depois de ter sido feita. As primeiras, de outubro de 2017, vencem em outubro de 2027. As últimas, de junho de 2023, vencem em junho de 2033. Quem fez reforços ao longo dos anos tem várias datas de vencimento, uma por cada subscrição. Podes consultá-las na área de cliente do IGCP (AforroNet) ou pedir o extracto nos CTT.
A armadilha é deixar o dinheiro reembolsado parado na conta à ordem. Com 10.000 euros a render zero durante um ano perdes 181 euros líquidos face à Série F, ou bastante mais face a um investimento de longo prazo. Marca a data e decide antes.
O que fazer com o dinheiro quando vencer
Fundo de emergência e poupança de curto prazo: volta a subscrever Certificados de Aforro, agora Série F. Vais ganhar menos (2,5% no máximo, 1,8% líquidos) mas mantém a liquidez trimestral e a garantia do Estado. O limite da Série F é de 250.000 euros por conta aforro. Faz as contas no simulador de Certificados de Aforro.
Dinheiro com data marcada em 6 a 18 meses: compara com um depósito a prazo promocional. Se um banco te der mais de 2,5% brutos para esse prazo, com dinheiro que já é teu, fixa a taxa. Se não, a Série F rende mais do que o depósito médio e deixa-te levantar o dinheiro quando precisares.
Horizonte de 10 anos ou mais: a Série F não protege o teu dinheiro da inflação de forma consistente, com a taxa presa a 2,5%. Para esse prazo, os ETFs diversificados têm historicamente rendido bastante mais, em troca de risco e oscilações. Vê o que a diferença faz em 10 ou 20 anos na calculadora de juros compostos.
Uma nota para quem ainda tem Série D, subscrita entre 2013 e outubro de 2017: a fórmula é a mesma Euribor a 3 meses mais 1 ponto, com um teto mais alto, de 5%, pelo que rende hoje 3,6% mais o prémio de permanência de 1 ponto. Também tem prazo de 10 anos, e as últimas subscrições vencem em outubro de 2027. Vale ainda mais a pena manter.
Perguntas frequentes
Qual é a taxa dos Certificados de Aforro Série E em outubro de 2026?
A taxa base é a média da Euribor a 3 meses mais 1 ponto, com teto de 3,5%. Com a Euribor acima de 2,5%, a taxa base de outubro é o máximo de 3,5% brutos. Somando o prémio de permanência (0,5 pontos do segundo ao quinto ano, 1 ponto do sexto ao décimo), os certificados rendem 4,0% ou 4,5% brutos, cerca de 2,9% a 3,2% líquidos de IRS.
Vale a pena resgatar a Série E para subscrever a Série F?
Não. A Série F paga no máximo 2,5% e começa sem prémio de permanência. Por cada 10.000 euros, um ano na Série E rende 290 a 330 euros líquidos, contra 181 euros na Série F. Ao resgatar perdes ainda os juros do trimestre em curso e a antiguidade, e a Série E está fechada a novas subscrições.
O que acontece quando os certificados Série E vencem?
No décimo aniversário de cada subscrição, o IGCP reembolsa o capital e os juros capitalizados para a conta bancária associada. As primeiras subscrições, de outubro de 2017, vencem em outubro de 2027; as últimas, de junho de 2023, vencem em junho de 2033. Não há renovação automática nem conversão para a Série F.
A taxa da Série E pode descer?
Sim. É recalculada todos os meses a partir da Euribor a 3 meses e aplica-se a todos os certificados da série. Se a Euribor descer abaixo de 2,5%, a taxa base da Série E fica abaixo do teto de 3,5%, mas mantém-se sempre 1 ponto acima da taxa base da Série F, com prémios de permanência que são o dobro.