Quanto sobe a tua prestação: o exemplo de 150.000 €
Num crédito de 150.000 € a 30 anos, com spread de 1,0% e revisão pela Euribor 6M, a prestação passou de 648,70 € para 706,81 € entre o início de 2026 e hoje: mais 58,11 € por mês, cerca de 697 € por ano. O cálculo usa a Euribor 6M de há seis meses (2,2%, como referência do início de 2026) e a actual (2,892% a 13 de Outubro de 2026), com fórmula francesa e o prazo completo de 30 anos.
É uma simplificação: o teu crédito já tem menos capital em dívida e menos prazo do que o exemplo, por isso a subida em euros no teu caso será menor se já pagaste vários anos. A subida em pontos percentuais, essa, é a mesma para todos. Para o enquadramento do produto, vê o guia de crédito habitação.
O que está por trás: o BCE subiu a taxa de depósito de 2,00% para 2,25% em Junho de 2026 e para 2,50% a 10 de Setembro, e a Euribor tem vindo a subir desde a Primavera. Os mercados admitem novas subidas, mas ninguém sabe se vão acontecer. No artigo sobre se a Euribor vai subir ou descer analisamos os cenários.
Como funciona a revisão da taxa
A tua prestação não muda todos os meses. Muda apenas nas datas de revisão previstas no contrato, que são de 3, 6 ou 12 meses conforme o indexante escolhido. Em cada revisão, o banco aplica a média da Euribor do mês anterior, soma o spread e recalcula a prestação para o resto do prazo. Essa prestação mantém-se até à revisão seguinte, mesmo que a Euribor mexa entretanto.
A periodicidade muda o ritmo, não o destino. Com a Euribor a subir, um contrato a 3 meses sente a subida mais depressa, mas também beneficia mais depressa se as taxas recuarem. Um contrato a 12 meses atrasa o impacto. Hoje, com spread de 1,0%, a mesma dívida custa:
| Indexante do contrato | Euribor (13 Out. 2026) | TAN com spread 1,0% | Prestação |
|---|---|---|---|
| Euribor 3M | 2,632% | 3,632% | 684,67 € |
| Euribor 6M | 2,892% | 3,892% | 706,81 € |
| Euribor 12M | 3,177% | 4,177% | 731,51 € |
Repara que o indexante de prazo mais longo está hoje mais caro. Isso não significa que seja pior no total: depende do que a Euribor fizer nos próximos meses, e nenhum cenário é garantido.
Cenários: e se a Euribor subir mais
Para planeares, vale mais testar cenários do que adivinhar. A tabela mostra o mesmo crédito (150.000 €, 30 anos, spread 1,0%) com a Euribor 6M no ponto de partida e em dois cenários hipotéticos de subida:
| Cenário (Euribor 6M) | TAN | Prestação | Diferença face a hoje | Por ano |
|---|---|---|---|---|
| Há 6 meses (2,200%) | 3,200% | 648,70 € | -58,11 € /mês | -697 € |
| Hoje (2,892%) | 3,892% | 706,81 € | - | - |
| Hoje +0,5 p.p. (3,392%) | 4,392% | 750,43 € | +43,62 € /mês | +523 € |
| Hoje +1,0 p.p. (3,892%) | 4,892% | 795,36 € | +88,55 € /mês | +1.063 € |
Cada 0,5 ponto percentual adicional de Euribor soma cerca de 44 € por mês neste exemplo. Se subir 1 ponto, a prestação sobe 88,55 € por mês face a hoje e 146,66 € por mês face ao início do ano. Para saber o teu valor exacto, usa a tua própria linha de capital e prazo restante.
Um teste simples antes de uma revisão: calcula a prestação com a Euribor 1 ponto acima do valor actual e vê se o orçamento do mês aguenta. Se aguenta com folga, a subida é apenas um incómodo. Se fica apertado, mais vale agir já, enquanto tens tempo e opções, do que esperar pela carta do banco.
Quando muda a tua prestação: como descobrir a data
- Consulta o contrato ou a app do banco: a data da próxima revisão e o indexante estão lá.
- Vê a Euribor média do mês anterior a essa data para estimar a nova taxa.
- Soma o teu spread e faz a simulação com o capital em dívida e o prazo restante que constam do último extracto.
O que fazer se a prestação apertar
Se o teu objectivo é manter a prestação comportável, há quatro alavancas, cada uma com custos. Usa o exemplo de uma Euribor 6M 1 ponto acima de hoje (prestação de 795,36 €):
- Renegociar o spread. Cada décima de spread conta. Pede propostas a outros bancos e usa-as como argumento, como descrevemos no artigo sobre o spread do crédito habitação. Não esqueças as comissões, se mudares de banco.
- Fixar a taxa. Passar para taxa fixa ou mista dá previsibilidade, mas fixas ao nível de hoje, que já inclui a subida. Compara em taxa fixa ou variável.
- Alargar o prazo. Passar de 30 para 35 anos baixa a prestação de 795,36 € para 746,73 €; para 40 anos, 712,60 €. A contrapartida é pagar mais juros: no caso dos 35 anos, cerca de 27.297 € a mais, se a taxa se mantiver.
- Amortizar capital. Para voltar à prestação de hoje com a Euribor 1 ponto mais alta, seria preciso reembolsar cerca de 16.700 € (no início do prazo). Se tens poupança, compara com as alternativas em amortizar o crédito ou investir.
Se a dificuldade já é real, fala com o banco antes de falhares qualquer prestação. Os bancos têm de ter procedimentos de acompanhamento e prevenção do incumprimento (o chamado PARI), e há mais soluções disponíveis quando ainda não existem prestações em atraso do que depois.
Qualquer das medidas custa algo. A escolha depende do que pesa mais para ti: prestação baixa agora, menos juros no total ou segurança contra novas subidas.
Perguntas frequentes
De quanto vai subir a prestação do crédito habitação?
Depende do capital em dívida, do prazo restante e da variação da Euribor. Num crédito de 150.000 € a 30 anos com spread de 1,0%, a prestação foi de 648,70 € com a Euribor 6M a 2,2% para 706,81 € com a Euribor a 2,892%, mais 58,11 € por mês.
Quando é que a prestação do crédito habitação é revista?
Nas datas de revisão previstas no contrato, a cada 3, 6 ou 12 meses conforme o indexante. O banco aplica a média da Euribor do mês anterior, soma o spread e recalcula a prestação até à revisão seguinte.
Quanto sobe a prestação por cada 0,5 pontos percentuais de Euribor?
Num crédito de 150.000 € a 30 anos, cada 0,5 pontos percentuais de subida soma cerca de 44 € por mês à prestação. No teu caso o valor varia com o capital em dívida e o prazo restante.
O que posso fazer se não conseguir pagar a prestação?
Fala com o banco o mais cedo possível. Podes renegociar o spread, fixar a taxa, alargar o prazo ou amortizar parte do capital. Cada opção tem custos, por isso compara o efeito na prestação e nos juros totais.